Postagens

Mostrando postagens de junho, 2024

O método científico de Galileu e de Einstein

  Pouco mais de trezentos anos separam dois eventos fundamentais para a estrutura do conhecimento humano. O primeiro deles foi a observação do céu feita por Galileu Galilei em 1609, através de seu   perspicillum   (telescópio), que possibilitou verificar a existência de crateras na Lua, os quatro satélites de Júpiter, novas estrelas e as diferentes fases de Vênus. O segundo foi a observação, por uma comissão inglesa, de um eclipse total do Sol, ocorrido em maio de 1919, e que comprovou a ocorrência da deflexão da luz quando seu feixe passava próximo ao Sol, confirmando a Teoria da Relatividade de Albert Einstein. Galileu não inventou o telescópio. Ele tomou conhecimento de que um artesão ótico, manipulando lentes côncavas e convexas a diferentes distâncias, obteve um resultado inesperado, permitindo a ampliação de objetos à longa distância. Porém, diferentemente de utilizar o novo instrumento para observar eventos na Terra, ele apontou para o céu para tentar ver melhor aq...

dois caminhos na sociologia da (in)sanidade-A loucura como experiência e representação

Imagem
  Experiências da loucura e discursos sobre a loucura  Em post anterior  dedicado à imaginação sociológica da insanidade, afirmei que qualquer recém-chegado à discussão sobre “saúde” e “doença” mental nas ciências sociais encontrará nessa área, no mínimo, duas linhas de pesquisa. Elas às vezes se ignoram, às vezes se chocam e às vezes se entrecruzam de maneiras produtivas, embora nunca livre de tensões. Grossíssimo modo: um galho da investigação científico-social da loucura se dirige às próprias condutas e experiências “insanas” ;  outro galho está mais preocupado com os modos pelos quais diferentes sociedades classificam seus membros como “sãos” ou “loucos” e lidam, na prática, com os últimos (HORWITZ, 1999). Considere primeiramente uma socióloga que pergunta se, quando mantidos constantes os demais fatores relevantes, a pobreza favorece mais a ocorrência de depressão do que circunstâncias de conforto material. Trata-se, decerto, de um estilo de interrogação socioló...

homem, animal politico (desenvolvimento)

Imagem
Aristoteles em sua obra, Etica a nicomaco, classifica o homem como um ser que necessita da atenção dos outros, sendo, por isso, um ser carente e imperfeito, buscando a comunidade para alcancar a completude. E a partir disso, ele deduz que o homem é naturalmente politico. Alem disso, para aristoteles, quem vive fora da comunidade organizada (cidade ou polis) ou é um ser degradado ou um ser sobre-humano (divino) Conforme aristoteles, o conceito de cidadao varia de acordo com o tipo de governo. Isso porque o cidadao é aquele que participa ativamente da elaboração e execução de leis, sendo elas elaboradas pelo rei (monarquia), por poucos (oligarquia) ou por todos os cidadãos livres (democracia). No entanto, nem todos os que moram na cidade são  cidadãos. Aristoteles diferencia habitante de cidadão, pois aqueles apenas moram na cidade, não participam dela, enquanto que esses dos que realmente pensam sobre ela tem o direito de deliberar e votar as leis que conservam e salvam o Estado. Di...

homem, animal politico- Aristoteles

Imagem
Introdução homem, animal politico- Aristoteles Aristóteles, a julgar pelos seus escritos, estava extremamente interessado em conhecer a natureza do homem, o mais intratável dos assuntos. O papel do homem na sociedade e as motivações que o levam a agir de certas maneiras sob certas condições, despertavam grande fascínio no filósofo. De fato, suas duas grandes obras, como a Política, que se acredita terem sido escritas por volta de 350 a.C., e Ética a Nicômaco, escrita por volta de 340 a.C., incluem discussões prolongadas e bem fundamentadas sobre esse assunto. Foi no início desses dois trabalhos, a Política, em que Aristóteles escreveu uma de suas citações mais conhecidas, que “o homem é por natureza um animal político”. Logo no início da Política, Aristóteles afirma que a sociedade resulta naturalmente das necessidades humanas. Que a sociedade não é algo artificial, alheio à natureza humana, mas fruto dessa própria natureza. Os seres humanos têm capacidade de falar, capacidade essa que...

A Sociologia como uma Filosofia Prática e Moral (e vice versa)

Imagem
 '' Embora boa parte da sociologia contemporânea tenha um caráter político e moralizante, a sociologia da moral como tal permanece pouco desenvolvida. Diferentemente da sociologia da religião, da sociologia do conhecimento ou da sociologia das artes, a sociologia da moral não possui uma verdadeira tradição, ainda que os pais fundadores da disciplina tivessem, é claro, grande interesse sobre os temas da moral e da ética. Para desenvolver uma sociologia da moral que faça jus ao próprio nome, é preciso, antes de tudo, romper a barreira disciplinar entre a sociologia e a filosofia, e superar a desconfiança e resistência dos sociólogos para engajarem-se em um "pensamento liminar" construtivo. Neste artigo, pretendo tentar reconectar a sociologia à filosofia da moral e a filosofia da moral à sociologia. A tese que defendo é de que a   sociologia dá continuidade, por outros meios, à venerável tradição da filosofia da prática e da moral . Como suas antecessoras, ela depende d...